A carteira consolidada da Prevcom encerrou maio com rentabilidade de 0,77%, superando a inflação medida pelo IPCA (0,58%) e a poupança (0,67%) no período. No mês, o resultado ficou abaixo da meta atuarial (0,93%).
No acumulado de 12 meses, a rentabilidade alcançou 12,40%, mantendo-se acima da meta atuarial da fundação (9,44%), da poupança (8,32%) e da inflação (4,72%).
O patrimônio da Prevcom atingiu R$ 5,24 bilhões. A carteira mantém perfil conservador, em linha com a Política de Investimentos, com cerca de 88% dos recursos alocados em renda fixa, distribuídos entre 46,41% em ativos atrelados ao CDI e 41,69% em títulos indexados à inflação.
Contexto do mercado em maio
O mês foi marcado pela intensificação da aversão ao risco nos ativos domésticos, em um movimento de saída consistente de capital estrangeiro que se descolou do humor externo. Enquanto os mercados desenvolvidos retomavam o apetite por risco, com rotação de fluxos em direção ao setor de tecnologia e inteligência artificial nos Estados Unidos e na Ásia, a bolsa brasileira perdeu o benefício do fluxo global justamente quando o exterior voltava a comprar risco.
O pano de fundo combinou o choque dos preços do petróleo no entorno do Estreito de Ormuz, com o barril negociado acima de US$ 100, à reprecificação das curvas de juros e a um prêmio doméstico mais espesso, ancorado em incertezas fiscais e no ruído associado ao cenário eleitoral.
O IPCA de maio apresentou desaceleração na margem, recuando para 0,58%, ante 0,67% em abril, em leitura que ainda refletiu a pressão das commodities energéticas, com destaque para o grupo de alimentação. No acumulado em 12 meses, contudo, a inflação avançou para 4,72%, rompendo novamente o teto da meta de 4,50% estabelecido pelo CMN. A composição do índice manteve a atenção elevada, sobretudo diante dos choques de oferta recentes e de expectativas ainda desancoradas em horizontes mais longos, o que reforçou a percepção de um processo inflacionário mais persistente do que o anteriormente projetado.
No campo da política monetária, a Selic permaneceu em 14,50% a.a. ao longo do mês, patamar definido no segundo corte consecutivo do ciclo de flexibilização, de 0,25 ponto percentual. A despeito da redução, o Copom adotou postura marcadamente cautelosa, abstendo-se de sinalizar os próximos passos e destacando que as projeções de inflação apresentavam distanciamento adicional em relação à meta, em ambiente de incerteza consideravelmente elevada. O comitê reforçou que o ritmo e a extensão do ciclo dependerão da evolução do cenário inflacionário, em especial da duração dos conflitos geopolíticos e de seus efeitos sobre os preços de combustíveis e alimentos, mantendo a restrição monetária em nível ainda contracionista.
O mercado de ações doméstico apresentou desempenho fortemente negativo no período, em correção ditada pela saída de investidores estrangeiros, que totalizou saída líquida expressiva ao longo do mês. O Ibovespa recuou cerca de -7,22%, encerrando aos 173.787,49 pontos, no pior desempenho mensal desde 2023. O índice de Small Caps registrou queda de aproximadamente -3,7%, pressionado pelo mesmo movimento de aversão a risco, ainda que tenha mostrado resiliência relativa frente ao índice amplo, beneficiado pela menor exposição direta ao fluxo estrangeiro que se retirava das ações de maior liquidez.
A depreciação do real frente ao dólar ao longo do período, com a moeda americana encerrando o mês próxima de R$ 5,05, somou-se à maior volatilidade global e à reprecificação das curvas de juros externas para impactar negativamente parte dos investimentos no exterior. O cenário internacional refletiu o avanço da inflação norte-americana, que acelerou para o maior nível desde 2023 em função do choque energético, e a consequente manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve, com o mercado eliminando as apostas de corte ainda em 2026, fatores que sustentaram a incerteza e a reprecificação de prêmios nos ativos globais.
Na renda fixa, o patamar ainda elevado das taxas de juros, mesmo com a continuidade do ciclo de queda da Selic, seguiu sustentando retornos atrativos nos ativos indexados ao CDI. A abertura das curvas de juros domésticas ao longo do mês, em resposta à reprecificação das expectativas de inflação e ao ambiente externo mais incerto, reforçou o carrego dos papéis pós-fixados. Os fundos atrelados ao DI mantiveram desempenho próximo ao benchmark, beneficiados pelo nível ainda restritivo da política monetária, que preservou a atratividade dessa classe em um mês de elevada volatilidade nos mercados de risco.












